terça-feira, 12 de outubro de 2010

Citação XI



Aqui fica esta citação final extraída do livro de Stewart Brand, Whole earth catalogue: “stay hungry, stay foolish”. Uma mensagem que apela para que seja curioso, que tenha fome de saber, que seja tolo... descubra as coisas como se fosse a primeira vez, questione, não tenha medo, a vida é uma grande estrada, faça o seu próprio caminho. Erre, aprenda, comece de novo e nunca desista...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A 4ª Maravilha do PNPG

O Pico da Nevosa



O Pico da Nevosa, com uma altitude de 1548 metros, é o 2º ponto mais alto de Portugal Continental e um dos locais mais bonitos do norte de Portugal no que diz respeito ao contacto com a natureza, a vista lá de cima é absolutamente arrebatadora o que torna este local único e de uma beleza singular...

Fotografia e Texto: David Gonçalves

Triste Constatação


Área ardida nas zonas protegidas subiu 60 por cento face à média registada em Portugal nos últimos cinco anos

20.09.2010
Mariana Oliveira


O ano ainda não terminou, mas já há um dado seguro a nível do balanço dos incêndios florestais: os fogos de 2010 foram particularmente penosos para as áreas protegidas.

Os últimos dados do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) mostram que até meados de Setembro arderam perto de 16 mil hectares nestas zonas classificadas. O valor significa um aumento de 60 por cento face à média dos últimos cinco anos, que incluiu a área ardida no total dos 12 meses. No único parque nacional do país, o da Peneda-Gerês, ardeu mais de 13 por cento da sua área total, incluindo um quarto da zona de protecção total, a área de maiores valores naturais.

O Parque Natural da Serra da Estrela também foi particularmente afectado, tendo este ano ardido 5,6 por cento da sua área, o que corresponde a 5.021 hectares (ha). Também aqui o fogo destruiu uma das áreas mais importantes do parque, a Reserva Biogenética, onde foram afectados 720 ha. O ICNB destaca a destruição de um ninho de falcão-peregrino, entre diversos habitats e espécies. Um núcleo de teixos, uma árvore resinosa que tem vindo a desaparecer, também foi consumido pelo fogo, que afectou igualmente a vegetação junto a diversas linhas de água.

Mesmo assim, o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) regista a maior área ardida dento das zonas protegidas: 9.193 hectares, que correspondem a 13,2 por cento da sua área total. O fogo que atingiu a Mata do Cabril, uma das três zonas de protecção total do parque, prolongou-se por 15 dias, tendo consumido 3.529 hectares. Mais de 270 hectares eram de carvalhal. "A área de maiores valores naturais (a zona de protecção total que é de 2797 hectares em todo o parque) teve um impacto de 26 por cento, correspondente, grosso modo, à área ardida na Mata do Cabril", nota o ICNB, numa avaliação dos fogos no PNPG.

"Divorciados" da população

Das restantes áreas protegidas, destaca-se o Parque Natural do Alvão, onde arderam 791 hectares, ou seja, 11 por cento do parque. Também o Douro Internacional e Montesinho foram afectados, ainda que de forma menos significativa.

Para Joaquim Sande Silva, da Liga para a Protecção da Natureza, os fogos nas área ardidas "são o resultado de um divórcio entre o ICNB e a população que reside nessas zonas". Sande Silva realça a falta de diálogo do instituto e aponta a falta de meios humanos no terreno como um problema. "No ICNB, há mais de 200 quadros superiores e pouco mais de cem vigilantes da natureza. Não faz sentido. É uma pirâmide virada ao contrário", sublinha o investigador. Por isso, nota, "há muito gente para planear e estudar e pouca no terreno, onde é possível mudar as coisas".

Sande Silva não se tente habilitado para avaliar se a alteração introduzida em 2007 na orgânica do ICNB, que determinou uma gestão regional das áreas protegidas (foram criados cinco departamentos encarregues, respectivamente, do Norte, das Zonas Húmidas, do Centro e Alto Alentejo, Litoral de Lisboa e Oeste e Sul) está a ter resultados negativos. Mas insiste que é preciso apostar numa política de proximidade, para que este modelo não contribui.

Falta de meios no terreno

Rita Calvário, deputada do Bloco de Esquerda e engenheira agrónoma, não tem dúvidas de que a mudança foi prejudicial. "O pretexto de uma maior eficiência de gestão apenas serviu para reduzir custos à conta de maiores debilidades de intervenção no terreno e contacto com as populações das áreas protegidas", sublinha num artigo de opinião publicado em www.esquerda.net. A engenheira realça ainda os problemas orçamentais do ICNB. "Com cortes de investimento superiores a 50 por cento nas áreas protegidas e uma redução de quase 20 por cento para o ICNB em 2007, desde então nunca se recuperaram os valores anteriores, já de si baixos. Ainda em 2010, o ICNB assistiu a um corte de mais 4 por cento em relação ao orçamentado no ano anterior", precisa a deputada do Bloco.

O resultado, diz, é a falta de meios no terreno. "Veja-se a situação do Parque Natural do Douro Internacional (85 mil ha) sem um único vigilante da natureza, do Tejo Internacional (26 mil ha) com apenas um vigilante, do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (75 mil ha) com dois, da Arrábida (11 mil ha) com quatro. Mas mesmo na Peneda-Gerês (70 mil ha), onde existem 23 vigilantes, a falta de verbas ditou que estes estivessem, até recentemente, sem viaturas para trabalhar durante mais de um ano", descreve.

In: Publico

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Um domingo de manhã na Albergaria


Não há nada como matar saudades do mais belo cantinho do Mundo, com um curto mas muito saboreado passeio pela Mata da Albergaria num Domingo de Manhã com o Verão a despedir-se...

Fotografia: David Gonçalves

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Melro-d’água (Cinclus cinclus)



O dançarino mergulhador

Nas ribeiras torrentosas do norte e centro do país existe um passarinho gracioso e pouco conhecido por muitos ornitólogos – trata-se do melro-d’água. Este passeriforme, o único em toda a Europa que consegue mergulhar e nadar, é uma ave singular.

O melro-d’água é, sem dúvida, uma das espécies mais curiosas da avifauna portuguesa. Distribui-se sobretudo pelas terras altas do norte e do centro e, embora não possa ser
considerado raro, é geralmente pouco abundante e com uma distribuição bastante fragmentada.

O habitat do melro-d’água é muito característico: consiste, principalmente, em cursos de água de caudal razoavelmente rápido e águas límpidas, com rápidos ou pequenas cascatas.
A Serra da Estrela, devido à disponibilidade de habitat favorável, é uma das zonas onde o melro-d’água é mais abundante e, consequentemente, mais fácil de encontrar. Nesta serra, pode ser visto, por exemplo, ao longo do vale glaciar do Rio Zêzere e no Covão da Ametade; ocorre igualmente ao longo do Rio Alva, perto do Sabugueiro e ainda nalgumas represas acima dos 1600m de altitude. Nesta serra, também é frequente em levadas de água criadas para produção de energia eléctrica. Outras serras do norte onde a espécie se encontra razoavelmente bem distribuída são: o Gerês, a Peneda, a Nogueira e Montesinho.

Um comportamento invulgar

O melro-de-água gosta de pousar nas pedras junto aos cursos de água, enquanto procura a sua presa. Muitas vezes pode ser visto a “dançar” sobre as pedras, antes de mergulhar. Quando finalmente mergulha, nada velozmente, por vezes dando um autêntico “show” para quem o esteja a observar. Consegue mesmo caminhar sobre o fundo dos ribeiros. É uma espécie que está bem preparada para o Inverno e, nas zonas mais frias, pode usar o gelo como poiso antes de mergulhar nas águas gélidas. Durante os meses de Verão, quando os cursos de água que frequenta podem secar, é ocasionalmente observado a pescar nos pegos.

Alimenta-se predominantemente de macro-invertebrados existentes no leito dos rios, mas pode também consumir pequenos peixes.

Durante a época de cria o melro-d’água é uma ave fortemente territorial. Cada casal defende um território que se estende de forma mais ou menos linear ao longo de um curso de água. No continente europeu, as densidades de aves nos cursos de água com características mais favoráveis variam entre 1 e 20 casais / 10km, em função da disponibilidade de recursos alimentares e da existência de locais de nidificação.

A época de reprodução do melro-d’água tem início bastante cedo, podendo observar-se o comportamento de estabelecimento de território em finais de Fevereiro e havendo ninhos ocupados em meados de Março.

O seu ninho, feito de ervas e musgos, é construído numa cavidade, geralmente por trás de cascatas, em taludes e em gretas de rochas, mas também em construções, como levadas, túneis de saída de água, a estrutura de uma represa ou mesmo uma ponte.


Um ecossistema sensível

Devido à especificidade do seu habitat e à elevada sensibilidade do meio aquático, o melro-d’água é muito sensível à transformação das condições ambientais. Em vários países europeus, tem sido constatado o seu declínio em diversas zonas, devido à acidificação dos cursos de água, exacerbada por uma florestação excessiva dos terrenos circundantes com resinosas – estes factores provocam uma diminuição do número de invertebrados disponíveis para esta espécie e uma redução do cálcio nas fêmeas antes da postura.

Noutros países, a poluição industrial também tem sido apontada como factor de ameaça. Adicionalmente, os planos de irrigação e os empreendimentos hidro-eléctricos, ao provocarem uma redução dos caudais nos cursos de água mais favoráveis, também poderão ser responsáveis pelas regressões verificadas nos países do sul da Europa. No caso de Espanha, a contaminação e a alteração das zonas ocupadas por esta espécie também é apontada como sendo a principal causa de regressão do melro-d’água e do seu desaparecimento de muitos cursos de água.

Em Portugal não se conhecem estudos abrangentes sobre a situação desta espécie. Contudo, sabe-se que, na primeira metade do séc. XX, o melro-d’água ocorria nas imediações do Porto, nomeadamente nos rios Ferreira, Sousa e Ave, onde actualmente parece não ocorrer, possivelmente devido à crescente poluição que afecta estas zonas. Também no Parque Nacional da Peneda-Gerês tem vindo a regredir, devido à construção de barragens, à poluição de cursos de água e à destruição do coberto vegetal das margens.

Gonçalo Elias
QUERCUS Ambiente nº. 14 (Maio/Junho de 2005)


Imagens: percursos.webcomfort.org
quercus.pt

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Citação X


"Todos precisam de beleza assim como de pão; de lugares onde se divertir, onde a Natureza possa curar, encorajar e fortalecer tanto o corpo quanto a alma."

(John Muir, em The Yosemite, 1912)
Fotografia: David Gonçalves

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Gerês23 - 1 ano


Faz hoje um ano de existência este meu blogue dedicado ao Parque Nacional Peneda-Gerês...espero que seja o 1º de muitos e que as ecxelentes caminhadas que este ano fiz se multipliquem por muitas mais nos anos vindouros.
Um agradecimento especial a todos aqueles que me acompanharam por esses montes durante este ano e o desejo de vos voltar a ter como companhia muito em breve naquele que é cada vez mais o cantinho mais belo do mundo...