sexta-feira, 25 de maio de 2012
O Gerês por Miguel Torga VII
Devo à paisagem as poucas alegrias que tive no mundo. Os homens só me deram tristezas. Ou eu nunca os entendi, ou eles nunca me entenderam. Até os mais próximos, os mais amigos, me cravaram na hora própria um espinho envenenado no coração. A terra, com os seus vestidos e as suas pregas, essa foi sempre generosa. É claro que nunca um panorama me interessou como gargarejo. É mesmo um favor que peço ao destino: que me poupe à degradação das habituais paneladas de prosa, a descrever de cor caminhos e florestas. As dobras, e as cores do chão onde firmo os pés, foram sempre no meu espírito coisas sagradas e íntimas como o amor. Falar duma encosta coberta de neve sem ter a alma branca também, retratar uma folha sem tremer como ela, olhar um abismo sem fundura nos olhos, é para mim o mesmo que gostar sem língua, ou cantar sem voz. Vivo a natureza integrado nela. De tal modo, que chego a sentir-me, em certas ocasiões, pedra, orvalho, flor ou nevoeiro. Nenhum outro espectáculo me dá semelhante plenitude e cria no meu espírito um sentido tão acabado do perfeito e do eterno. Bem sei que há gente que encontra o mesmo universo no jogo dum músculo ou na linha dum perfil. Lá está o exemplo de Miguel Angelo a demonstrá-lo. Mas eu, não. Eu declaro aqui a estas fundas e agrestes rugas de Portugal que nunca vi nada mais puro, mais gracioso, mais belo, do que um tufo de relva que fui encontrar um dia no alto das penedias da Calcedónia, no Gerez. Roma, Paris, Florença, Beethoven, Cervantes, Shakespeare... Palavra, que não troco por tudo isso o rasgão mais humilde da tua estamenha, Mãe!
Miguel Torga, in "Diário (1942)"
quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Ermida do Xurês-Minas das Sombras
16 de Outubro de 2011
Era dia de visitar o lado espanhol do nosso cantinho…dia de voltar a um trilho belíssimo… minas das sombras seria o nosso destino para esse dia…
O mês de Outubro já ia a meio mas nem por isso o Verão dava lugar ao outono, sendo infelizmente um dia terrível para aquela zona, em que incêndios destruíam alguns locais de beleza singular que nunca mais voltariam a ser o que eram.
O dia estava bonito e apesar de tudo, agradável e o trilho fez se com boa disposição…quando chegamos ás Minas das Sombras já o estômago pedia alguma recompensa e as pernas algum descanso.
Depois disso foi hora de explorar o interior da Mina, onde encontramos num ambiente frio e escuro, memórias perdidas de vidas duras …ecos de sacrifícios em busca de uma vida melhor.
Na Mina parecíamos estar num mundo á parte, onde as salamandras eram donas e senhoras do espaço e onde o silêncio reinava apenas interrompidos pelo som distante de gotas de água que caiam do tecto húmido…
Como que por acaso ainda tivemos a sorte de encontrar uma cache onde deixamos um registo da nossa passagem…
De regresso ao exterior, o sol e o calor abraçavam-nos o corpo já esquecido que o Verão persistia em Outubro…
De mochilas ás costas o regresso fez se ligeiro, com a expectativa de presentear o corpo cansado no final da caminhada com um banho de agua a escaldar em “os baños”…dito e feito, terminava assim mais um dia no mais belo cantinho do Mundo…
Texto: David Gonçalves
sexta-feira, 27 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
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