Uma Autonomia de 2 dias pelo Gerês é sempre algo de especial, só pelo simples facto de poder desfrutar da natureza e do Gerês 2 dias seguidos.
Pesadinhos mas animados iniciamos esta autonomia na Portela de Leonte, encosta acima sem olhar para trás o que aí vinha seria muito bom...nós sabíamos!
O destino para esse dia seria o Prado do Camalhão e lá parámos para retemperar forças.
No dia seguinte voltamos até á Freza mas daí seguimos por ali acima em direcção ás antenas de Borrageiro. A subida ainda é puxadinha mas devagar e com calma faz-se bem!
Ali não faltou a foto de cume :-) um pouco de descanso e uma voltinha para espreitar a paisagem fantástica logo ali ao lado...para mim é das imagens mais bonitas da serra do Gerês, a Rocalva e Roca Negra imponentes e a sempre impressionante Corga do Arreiro!
Daí para á frente foi sempre a encher o bandulho em tudo que era canto, repirar ar puro e descer calmamente até chegar finalmente ao Ponto de partida...quando um dia é Genial, dois dias seguidos são um doce para qualquer amante da Natureza, ficamos como novos e este é o bem mais precioso que tem para nos dar o mais belo cantinho do Mundo...
Fotografias: David Gonçalves,Raoul Silva, Leandra Cardoso
Para muitos é uma mini caminhada, para mim tambem é, mas nesse dia soube muito bem matar saudades desse meu cantinho, soube tão bem como se tivesse passado o dia na Serra...no regresso a maior surpresa surgiu, quando o uivo do lobo rompeu o silêncio...o resto é magia...no mais belo cantinho do Mundo...
Texto: David Gonçalves
Fotografias:David Gonçalves e Raoul Silva
O som pode não ser o melhor mas se ouvirem com o volume no máximo e com alguma atenção, vão ouvi-lo vindo do coração da serra o mais belo som que se pode ouvir, um momento único e inesquecível...
Viam a luz nas palhas de um curral, Criavam-se na serra a guardar gado. À rabiça do arado, A perseguir a sombra nas lavras, aprendiam a ler O alfabeto do suor honrado. Até que se cansavam De tudo o que sabiam, E, gratos, recebiam Sete palmos de paz num cemitério E visitas e flores no dia de finados. Mas, de repente, um muro de cimento Interrompeu o canto De um rio que corria Nos ouvidos de todos. E um Letes de silêncio represado Cobre de esquecimento Esse mundo sagrado Onde a vida era um rito demorado E a morte um segundo nascimento.
Miguel Torga – Barragem de Vilarinho da Furna, 18 de Julho de 1976